Aprendendo a SER GENTE...
Sou enfermeira, formada há 4 anos, mas sinto que sou enfermeira há mais tempo, sou enfermeira antes mesmo de prestar vestibular, antes mesmo de entrar para Universidade, sinto de forma real que na minha identidade eu sempre trouxe traços do cuidado, é parte do que sou, não querendo ser soberba ou me julgar perfeita ou livre de falhas no exercício diário do meu oficio, mas ouso dizer que ser enfermeira faz realmente parte do que sou...
Digo isso pois é na enfermagem que eu consigo pela graça de Deus enxergar coisas como a descoberta de hoje, segundas feiras não são fáceis, não são mesmo, eu tive hoje uma manhã daquelas, meu plantão corrido, com muitas coisas e o cansaço latente depois de tantas horas em pé correndo (literalmente) de um lado para o outro, mas um pouco antes do domingo virar segunda eu vivi uma experiência que ainda faltam palavras para definir...
Admiti uma bebê na intercorrência, acompanhada pelos pais, com seus 10 meses de vida, mantendo-se bem, um pouco sonolenta, para poucos amigos, mas "hemodinamicamente estável", traduzindo, ela estava bem, os pais perceberam que a criança estava um pouco "diferente" do comum e sem muita animação, além de apresentar vômitos, como trabalho em um hospital referência em câncer infantil, segui com meu questionário sobre qual a data da ultima quimioterapia etc, para minha surpresa, era um caso novo, ainda estavam naquele processo de diagnostico então o tratamento ainda não havia começado, entre um coisa e outra, precisei pegar um acesso nessa criança, e isso equivale a dar aquelas picadas que ninguém gosta (nem mesmo eu), durante o procedimento, a mãe como de costume se emociona pelo sofrimento da filha e me diz que sabe o quanto dói pois passa pelo mesmo diariamente, eu questiono para a mesma se ela faz algum tipo de tratamento, e para meu espanto sou surpreendida pela resposta, a mãe está sendo tratada de um câncer, com suspeita de metástase (que é quando há possibilidades de ter ido para um outro lugar além do local inicial), e recentemente descobriu que sua bebê também esta acometida pela doença, a questão maior foi a que veio após, conversando com os pais sou surpreendida mais uma vez pela visão deles diante da situação, cheios de maturidade me disseram algo semelhante ao seguinte: "Neste mundo existem muitas pessoas que sofrem, sempre achamos que nosso sofrimento é maior, mas há sempre bem próximo de nós alguém com uma dor maior, devemos sempre agradecer a Deus, pois dentro da situação de dor e sofrimento ainda assim as coisas dão certo e somos conduzidos para o melhor."
Eu sai do plantão acabada, trabalhei muito e mal sabia o rumo da minha casa de tanto cansaço, pensei em como segundas feiras são proclamadas como um dia ruim e até pensei em quantas segundas feiras foram mal vividas pelo simples fato de minha barriga estar cheia demais para enxergar algo além do meu umbigo, pensei em como tantos outros dias da semana são tão mal aproveitados pelo mesmo motivo ou pela minha mania de achar problemas onde não existem, pensei, repensei e continuo pensando!!!
A minha conclusão é que Deus me fez enfermeira para eu simplesmente aprender a ser HUMANA, para eu literalmente ser gente!
Gratidão!!!

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